terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Disto da maternidade ou uma simples constatação



Sempre quis ser mãe. Com dois anos ou três, tinha uma boneca, um trem de tachos e panelas miniatura de alumínio com asinhas vermelhas, tinha um triciclo, uma horta de verdade, com direito a alfaias agrícolas e um sistema de rega evoluído. Não  tinha irmãos, primos pequenos ou crianças vizinhas para brincar. Tinha uma mãe dedicada, um pai amoroso, uma avó linda de morrer e um avô que me amava incondicionalmente. Tinha as vizinhas, meninas quase adultas que estudavam para serem professoras e que faziam de mim um pequeno prodígio, ensinando-me a ler e a escrever a léguas de ir para a primária, a Lurdes, a Luisa e a Belinha, do outro lado da rua morava a Hortense, menina feita mulher, coisa que ainda hoje o é. Entre o que tinha e não tinha,  definiu-se o muito que hoje sou. O Ronaldo queria jogar no RM e eu queria ser mãe. E, fui e sou. E, quis e quer Deus, que todos os dias o seja. E melhor que ser mãe só se contrapõe  o facto de ser mãe de três seres avassaladores. Sem perfeições forjadas. Sem rankings comuns. Seres que caminham comigo. E, se de facto, eles crescem comigo, a verdade das verdades será que eu cresço muitíssimo mais com eles. Sou uma abençoada, porque se fosse tudo perfeito a viagem perdia metade da graça. Grata. Sempre grata.