terça-feira, 3 de março de 2015

Palavras que não são minhas, mas que podiam ser se eu soubesse escrever


[ Porque acredito no amor.
Porque acredito que o amor não é só uma palavra, nem se fica pelas palavras. Nem pode.
É podermos ser aquilo que somos, mesmo não sabendo bem quais os contornos dessa nossa existência. É expandir esses contornos sozinhos, mas sempre acompanhados.
É sair da zona de conforto com a certeza de que essa expansão será aceite e celebrada por quem amamos e por quem nos ama.
Amor é retribuir tudo isto sem esforço. É nem pensar nisto.
O amor não tira, acrescenta.
Não há amor certo e amor errado. O amor não se mede. “Eu amo-te mais” não existe.
Amor não se decide, sente-se.
O amor alimenta-nos, mesmo que não faça ricochete. Esse é o amor incondicional.
Amor é confiança cega. É saber de uma verdade pura e vivê-la como o maior dos presentes, agradecidos, por dentro. E saber que mais ninguém saberá que segredo é esse, o nosso.
É uma partilha secreta com língua própria. É contemplar. É falar sem falar. É saber calar.
É aceitar.
É ceder e aprender. CUIDAR. E demonstrar. Demonstrar essa admiração profundamente emocional, todos os dias.
Amor é encontrar alguém que nos completa e ser profundamente agradecido e feliz por essa pessoa nos desejar também.
Amor é dar, mais que receber.
Mas o amor não se explica, é vivido por quem se ama.
É acreditar que tudo faz sentido, mesmo quando não faz. Nas dúvidas. Nas inseguranças.
Na espera.
Amor não é só estar lá. É saber sair de vez em quando, voar e deixar voar. E voltar. Ou não.
O amor é tão grande, que por amor somos capazes de assistir a um voo do amado, que sabemos que não terá volta.
O amor dói porque o amor é estarmos vivos. No inverno e no verão, nas conquistas e nas frustrações. Amor sem expressão dilui-se nos dias e perde a intensidade.
Mas continua a ser amor.
Porque quando amamos, nunca deixaremos de amar. Nunca. Se assim acontecer, é porque não era amor.
Para viver um grande amor, temos de ser grandes, livres e inteiros.
Não é fácil. Ninguém disse que era.
Mas vale tudo.
Leonor Poeiras ]