sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Disto e daquilo, do céu e do inferno


          


Em criança, sempre me ensinaram que se me portasse bem ia para o céu e que parar ao inferno, uma coisa quente e tenebrosa, iam as pessoas que se portavam mal. Nenhuma criança percebe isto. Nenhuma. Mas aceita. E eu aceitei. Aceitei, sempre com grandes questões e poucas ou nenhumas respostas. E embebida neste e noutros dogmas ( centenas deles, sei eu agora ) lá fui crescendo até pouco mais do meu metro e meio. Em determinado momento da minha vida foi preciso escolher e eu escolhi sobreviver. A partir desse momento surgem todos os dias as respostas...lembram-se ? As respostas para as questões que tinha em criança. Todos os dias. Ontem, tal como milhares de pais, aguardei pacientemente ( ou não ) pela minha vez de pagar algumas coisas em falta da lista de material da pequena , que tem a extensão do país inteiro, olhando para alguns livros expostos, na vã tentativa de pensar pouco na hora e no dia mais sem noção dos últimos tempos, bati com o olhar numa capa de um livro de uma atleta olímpica, tenho ideia, intitulado " O céu é na  terra" , não me devo ter detido mais que alguns segundos, mas terei feito uma viagem de milénios. De [ volta ] olhei para dois dos três seres filhos desta vida e tive respostas para tantas das questões com que me debati nos últimos dias e que determinaram o dia tsunamico e caótico de ontem. O inferno tenebroso é na terra. Mas, o céu, esse lugar mágico que me descreviam em menina, esse também é na terra. O céu é, na verdade um estado do ser ao qual só ascendemos se o estado do coração for o de gratidão pura e quanto mais vibramos em gratidão mais esferas do céu infinito cruzamos. E quando tudo o que existe é amor, daquele amor que só cresce, o equilíbrio é uma consequência natural que surge como surge o acto de inspirar e expirar. A escolha sábia entre o inferno e o céu é pessoal e intransmissível e confere a cada um de nós um poder universal. Escolham bem. A cada dia. Todos os dias.