segunda-feira, 2 de novembro de 2015

#registosmuitopessoais [ porque isto não é um lifestyle blog ]


                     

Muita coisa acontece num ano. Milhões de coisas acontecem em dez. Ontem, domingo subi ao sotão em busca de algo muito específico. No varrer de olhos detive-me sobre uma caixa. Sabia o que continha e nunca mais a devo ter aberto desde que a levei para cima. Entreabri a tampa e tirei o que a minha mão alcançou. Ganga. Umas calças de ganga. As tão famosas e actuais boyfriend com os rasgos que voltaram a ser trendy. Não umas calças de ganga quaisquer e sim as minhas, com dez, doze anos talvez. Abri-as à altura dos olhos. Um 44. Senhores...um 44. Senti as lágrimas a galgarem, quatro a quatro. Encostei as calças a mim, o dobro, quase lá caberiam duas de mim, duas Cláudias de hoje. Desci, trazendo-as comigo. Sem conseguir parar de chorar. Olhei para o espelho na tentativa vã de recordar aquela mulher, aquela que se ajustava perfeitamente ali dentro. Aquela que talvez só tenha deixado de ser à tão pouco tempo atrás, porque sem que disso tivesse noção a cabeça e a perda de peso nem sempre caminham a par. Bastante tempo volvido e já longe dos 15/20 quilos subtraídos, a cabeça continua a ver o corpo desajustado, continua a pegar em números grandes para experimentar nas lojas. Continua a ver a pele feia mesmo quando ela já se renovou.  O emocional enquanto algo não tratado, continua a ser uma parte de nós que nos torna totalmente incapazes, incapazes de evoluir.  Aquela mulher ou uma boa parte dela eu ainda era até à bem pouco tempo atrás. A que tinha crises de ansiedade. Ataques de pânico. Medo de vozes altas. A que comia até rebentar na expectativa de um conforto que sabia ser temporário. A que se desvalorizava interiormente minuto a minuto. A que construiu uma fortaleza por e para defesa daquilo que não sabia como ultrapassar. Dessa mulher a minha memória tem somente laivos. Não a nego, no entanto. Aceito-a plenamente. Não com orgulho antes com aceitação,  sim e perdão. Certa que foi essa mulher que construiu a de hoje. E que a de hoje constrói a de amanhã porque todos os dias são de uma humilde aprendizagem. Ser a mudança em mim tornou-me num EU conceptual capaz de falar e escrever na primeira pessoa. Ensinar como é que isto se faz é o sonho da minha vida. Sonhem comigo. #ahoradeserfelizéagora